Os jogadores da selecção portuguesa regressavam ao hotel onde a comitiva está instalada em Neuchâtel depois de umas horas de folga. Passavam velozes, em carros de vidros fumados sem falar com ninguém. Era o dia seguinte ao anúncio da despedida de Scolari do cargo de seleccionador de Portugal e interessava saber como é que a notícia tinha sido sentida pelos jogadores. Estariam surpreendidos, desgostosos, tristes, contentes, aliviados?...
Envolto numa cortina de ferro, o Hotel Beau Rivage tinha (e tem) ainda uma cortina preta presa às grades que o separam do mundo real. A visibilidade para o interior desse outro mundo é por isso nula. A não ser que (como alguns fazem) se suba para o topo da estrutura metálica da paragem de autocarro. Ou se espreite pelas frestas que existem entre as barreiras metálicas.
Qualquer uma das opções é confrangedora. Mas foi esta última a única possível para escutar o que Fernando Meira tinha para dizer. Perguntas gritadas por cima da grade, respostas atiradas da mesma forma e pelo mesmo caminho. Tudo às cegas. “Olá Fernando. Aqui é Jorge Matias, do PÚBLICO”. “Olá Jorge”. “Como souberam da notícia?” E a conversa continuou assim, a poucos centímetros um do outro, mas tão longe de ser um diálogo olhos nos olhos. J.M.M.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário