
quarta-feira, 2 de julho de 2008
domingo, 29 de junho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
O Iglésias é fixe

09h19 – Uma paragem de tram até Alser Strasse.
09h23 – Linha U6 até Westbanhof.
09h31 – Linha U3 até Stephansplatz.
09h41 – Linha U1 até Reumannplatz.
09h57 – No estádio Franz Horr, o coreano Woo Koo Chang (Chang Woo Koo para os amigos) torce o nariz a Kim Ki Duk, franze o sobrolho a Chan Wook Park e diz que até provas em contrário o Cristiano Ronaldo ainda é o melhor do Europeu. O Chang não domina.
11h41 – A deslocação à concentração espanhola foi um desperdício até para os espanhóis.
12h59 – O maior guloso vivo está a ceder senhas do McBar. Aqui há gato...
13h00 – O Enrique Iglésias está atrasado pelo menos 15 minutos. Troco uma senha por um brownie.
12h28 – Quem que ser milionário? Pergunta para Iglésias de platina: Qual a maior banda sueca pop? “Abba”. Qual o nome do hino do Euro? “Se não é o meu ‘Can You Hear Me?’ é o ‘Seven Nation Army’, dos White Stripes. E o Puskas, ring a bell? "Posso trocar de pergunta?" A música? “Quero lá saber da música. Só vim aqui para conseguir bilhetes de graça”. Sem gastar ajudas.
09h23 – Linha U6 até Westbanhof.
09h31 – Linha U3 até Stephansplatz.
09h41 – Linha U1 até Reumannplatz.
09h57 – No estádio Franz Horr, o coreano Woo Koo Chang (Chang Woo Koo para os amigos) torce o nariz a Kim Ki Duk, franze o sobrolho a Chan Wook Park e diz que até provas em contrário o Cristiano Ronaldo ainda é o melhor do Europeu. O Chang não domina.
11h41 – A deslocação à concentração espanhola foi um desperdício até para os espanhóis.
12h59 – O maior guloso vivo está a ceder senhas do McBar. Aqui há gato...
13h00 – O Enrique Iglésias está atrasado pelo menos 15 minutos. Troco uma senha por um brownie.
12h28 – Quem que ser milionário? Pergunta para Iglésias de platina: Qual a maior banda sueca pop? “Abba”. Qual o nome do hino do Euro? “Se não é o meu ‘Can You Hear Me?’ é o ‘Seven Nation Army’, dos White Stripes. E o Puskas, ring a bell? "Posso trocar de pergunta?" A música? “Quero lá saber da música. Só vim aqui para conseguir bilhetes de graça”. Sem gastar ajudas.
12h45 - Enrique em off. Fala mal português, mas percebe tudo. Portugal era a sua equipa preferida. O Ricardo é um bom guarda-redes. O Enrique não domina.
13h43 – A cantina do Media Centre está fechada. Troco uma senha por um cheesecake. Almoço ao som de “KLF is gonna rock you”.
18h44 – O maior guloso vivo diz-me que hoje o Media Centre fecha às 19h00. Troco uma senha por um muffin de mirtilos. Acho que me dói a barriga.
13h43 – A cantina do Media Centre está fechada. Troco uma senha por um cheesecake. Almoço ao som de “KLF is gonna rock you”.
18h44 – O maior guloso vivo diz-me que hoje o Media Centre fecha às 19h00. Troco uma senha por um muffin de mirtilos. Acho que me dói a barriga.
L.O.C.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Oz

15h20 – Já há jornalistas no Media Centre, uma espécie de casa Big Brother. Esplanada de madeira, sofás brancos da moda, tarefas diárias em tempo recorde e concorrentes expulsos porque não estavam a ser iguais a si próprios.
15h53 – Tortura diária: golo de Klose, golo de Klose, Klose, Klose... Voto na expulsão do Ricardo por ter sido igual a si próprio.
20h07 – O coração da Turquia já bate. Golo de Boral. Reacção de um brasileiro em Viena: “Não vale a pena correr em direcção ao banco que não está ninguém para abraçar”.
20h.. – Golo de Schwein... (a nossa emissão será retomada dentro de momentos)... steiger!
21h20 – A casa do Big Brother está prestes a levantar voo. Sinto-me como a Dorothy a chegar a Oz.
23h43 – A Turquia caiu. Acredito que vão marcar a qualquer momento.
00h32 – Sinto-me como se fosse a única pessoa em Berlim de calções...
L.O.C.
Atsui!

10h34 – Um grupo de espanhóis assobia “del barco de Chanquete, no nos moverán”. Espanha, Nerja, clima tropical.
10h57 – Já sei dizer “muito calor” em japonês. Viena? Totemo atsui.
11h05 – Joga-se voleibol na paragem de autocarro. Devo ser a única pessoa de Viena que não está de calções...
12h33 – Almoço “on the rocks” no Café de Paris, em Praterstern.
13h05 – Entrei no número 26 da roda gigante do filme “O Terceiro Homem”. Para já ninguém me ofereceu 20 mil dólares para eliminar os pontinhos que se passeiam lá em baixo.
13h43 – Linha U2 para Karlsplatz. Um sumo de laranja, gelo e “Antes do Amanhecer” no Kleines Café, de Franziskaner platz.
14h22 – Dilúvio em Viena. Devo ser a única pessoa que não está de calções...
17h23 – O Europeu está parado. O Brannenmarkt está vivo. Emine, turca de Kayseri, fala melhor inglês que eu alemão. “O meu pai costumava dizer ‘se sabes uma língua és uma pessoa, se sabes três línguas és três pessoas”. Atsui! Atsui!
23h00 – O programa de cinema ao ar livre pousado no balcão da discoteca Flex (dancing with Funk D’Void numa estação de metro desactivada) diz que hoje é dia de Memento. Esqueci-me da polaroid.
02h13 – O sul-africano Mark Fish sabe dizer três frases em português, uma delas com verbo e tudo. É só uma pessoa.
03h27 – Corre uma brisa fresca ao longo do Danúbio. Vai um mergulho?
10h57 – Já sei dizer “muito calor” em japonês. Viena? Totemo atsui.
11h05 – Joga-se voleibol na paragem de autocarro. Devo ser a única pessoa de Viena que não está de calções...
12h33 – Almoço “on the rocks” no Café de Paris, em Praterstern.
13h05 – Entrei no número 26 da roda gigante do filme “O Terceiro Homem”. Para já ninguém me ofereceu 20 mil dólares para eliminar os pontinhos que se passeiam lá em baixo.
13h43 – Linha U2 para Karlsplatz. Um sumo de laranja, gelo e “Antes do Amanhecer” no Kleines Café, de Franziskaner platz.
14h22 – Dilúvio em Viena. Devo ser a única pessoa que não está de calções...
17h23 – O Europeu está parado. O Brannenmarkt está vivo. Emine, turca de Kayseri, fala melhor inglês que eu alemão. “O meu pai costumava dizer ‘se sabes uma língua és uma pessoa, se sabes três línguas és três pessoas”. Atsui! Atsui!
23h00 – O programa de cinema ao ar livre pousado no balcão da discoteca Flex (dancing with Funk D’Void numa estação de metro desactivada) diz que hoje é dia de Memento. Esqueci-me da polaroid.
02h13 – O sul-africano Mark Fish sabe dizer três frases em português, uma delas com verbo e tudo. É só uma pessoa.
03h27 – Corre uma brisa fresca ao longo do Danúbio. Vai um mergulho?
L.O.C.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Eurovisão

O Euro é um taxista afegão dizer “todos nos querem dominar”. Todos é Genghis Khan, é Alexandre o grande, são os russos e os americanos. O Euro é um taxista nigeriano ouvir Toto África (para mim sempre foi um só nome) nas alturas e achar que isso é rock progressivo, que esse é o hino. O Euro é jogar matraquilhos com a selecção alemã e, de propósito, deixar a bola passar por entre as pernas de Lehmanteiga. O Euro é ser português e os portugueses estarem agora no fim da lista de espera atrás do Wolfgang, do Meng Wang (“perdão, senhora Wang”), do Apostolakis, do Liu, do Mei, do... O Euro é não ter bilhete para o Euro, entrar clandestinamente e ficar sentado na zona mais perfumada do Prater (a dois metros das namoradas dos jogadores italianos). O Euro é ficar lá fora à espera de “bilhetes usados para a minha colecção”. O Euro é um calor que se cola à pele. É Viena em contagem decrescente.
L.O.C.
domingo, 22 de junho de 2008
sábado, 21 de junho de 2008
Lambarices

Consta que os voluntários gregos da UEFA abandonaram o seu posto antes de tempo, que os turcos de Bergsteiggasse fizeram uma excursão até Basileia (espero que o Mehmet da lavandaria abra na segunda-feira como prometido), que Nihat ficou em Viena a beber uns copos e que “en el día veintidos, Itália dice adios”. Há jornalistas que vão (e dizem “este Euro sucks”), há jornalistas que chegam (e dizem “este Euro é para quem pode”) e há jornalistas que por culpa de uns e outros perderam uma série de privilégios e passaram a fazer parte da lista “resto do Mundo” (terceira página da lista de espera e é se quer). Durante a tarde, o Media Centre disponibiliza senhas de alimentação lambareira. À noite, a UEFA tira os cadeados dos frigoríficos e a cerveja até voa. Pelo meio, os turcos obrigam os voluntários a fazer horas extraordinárias.
L.O.C.
L.O.C.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
O Murtosa do costume

O galão médio do costume, a tarte de mirtilos do costume, os matraquilhos do costume (com o desnível do costume: a Áustria em 5x3x2, a Alemanha em 2x5x3), o sol de Verão do costume (o costume: Viena rules), a roda gigante do costume, o Batta do costume, o Schweinsteiger do costume, a raiva do costume (um beijo na Senhora do Caravaggio dele, uma mordidela na camisola da nossa selecção), as estrelas do costume (estrelas? um costume), as apostas do costume, os contratos do costume (e que tal um pé de ouro Ronaldo?), os treinos do costume (quem pagou viu, quem não pagou poupou), os do costume (e o Deco-do-costume), os pontas-de-lança do costume (e não é que temos?), as luvas do costume, os emigrantes do costume (querem espreitar, pagam. Não volto a repetir) e os bigodes falsos do costume.
L.O.C.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Paulsleigh

09h42 – No comboio Zurique-Salzburgo percebo que vou a caminho do “jogo mais barato do Euro”. É este o pregão do vendedor inglês que armou um leilão no vagão de primeira classe. Cento e vinte euros uma, duas, três. Bilhete Espanha B-Grécia vendido ao senhor chileno do canto. Sobra algum para o jogo de Portugal? 700 euros.
14h27 – Um taxista pede-me duzentos euros para me levar ao hotel (um genuína caixa de música plantada em Bayerisch Gmain com uma harpa, relógios de cuco, um rádio Siemens embutido na mesinha de cabeceira e coelhos bravos à porta) para lá da fronteira com a Alemanha. À terceira tentativa, fecho negócio por 40 com um taxista esloveno.
17h01 – Para o Media Centre por favor... “Blá-blá-blá contorne o estádio”. Para o Media Centre? “Back, back”. Media Centre? “Links, blá-blá-blá”. Journalist, journalist! “Humpf!” Uma simpatia estes austríacos...
17h40 – A cantina do Media Centre só serve jantares a partir das 18h00. Não há por aí sobras do almoço?
17h45 – À conversa com o Paul, percebo as vantagens de não ter a selecção inglesa no Euro...
17h50 – Ainda faltam dez minutos para o strogonoff...
23h45 – Conseguir um táxi à porta do Casino no último dia de Euro em Salzburgo é uma batalha campal. O croata que me transporta diz que Portugal vai longe.
00h56 – O tarot de hoje: Galas, Perrotta, Rakitic, Marcos Senna e um quarto da selecção portuguesa sem cabeça. Abrimos outra carteirinha?
14h27 – Um taxista pede-me duzentos euros para me levar ao hotel (um genuína caixa de música plantada em Bayerisch Gmain com uma harpa, relógios de cuco, um rádio Siemens embutido na mesinha de cabeceira e coelhos bravos à porta) para lá da fronteira com a Alemanha. À terceira tentativa, fecho negócio por 40 com um taxista esloveno.
17h01 – Para o Media Centre por favor... “Blá-blá-blá contorne o estádio”. Para o Media Centre? “Back, back”. Media Centre? “Links, blá-blá-blá”. Journalist, journalist! “Humpf!” Uma simpatia estes austríacos...
17h40 – A cantina do Media Centre só serve jantares a partir das 18h00. Não há por aí sobras do almoço?
17h45 – À conversa com o Paul, percebo as vantagens de não ter a selecção inglesa no Euro...
17h50 – Ainda faltam dez minutos para o strogonoff...
23h45 – Conseguir um táxi à porta do Casino no último dia de Euro em Salzburgo é uma batalha campal. O croata que me transporta diz que Portugal vai longe.
00h56 – O tarot de hoje: Galas, Perrotta, Rakitic, Marcos Senna e um quarto da selecção portuguesa sem cabeça. Abrimos outra carteirinha?
L.O.C.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Futebol atrás da cortina
Os jogadores da selecção portuguesa regressavam ao hotel onde a comitiva está instalada em Neuchâtel depois de umas horas de folga. Passavam velozes, em carros de vidros fumados sem falar com ninguém. Era o dia seguinte ao anúncio da despedida de Scolari do cargo de seleccionador de Portugal e interessava saber como é que a notícia tinha sido sentida pelos jogadores. Estariam surpreendidos, desgostosos, tristes, contentes, aliviados?...
Envolto numa cortina de ferro, o Hotel Beau Rivage tinha (e tem) ainda uma cortina preta presa às grades que o separam do mundo real. A visibilidade para o interior desse outro mundo é por isso nula. A não ser que (como alguns fazem) se suba para o topo da estrutura metálica da paragem de autocarro. Ou se espreite pelas frestas que existem entre as barreiras metálicas.
Qualquer uma das opções é confrangedora. Mas foi esta última a única possível para escutar o que Fernando Meira tinha para dizer. Perguntas gritadas por cima da grade, respostas atiradas da mesma forma e pelo mesmo caminho. Tudo às cegas. “Olá Fernando. Aqui é Jorge Matias, do PÚBLICO”. “Olá Jorge”. “Como souberam da notícia?” E a conversa continuou assim, a poucos centímetros um do outro, mas tão longe de ser um diálogo olhos nos olhos. J.M.M.
Envolto numa cortina de ferro, o Hotel Beau Rivage tinha (e tem) ainda uma cortina preta presa às grades que o separam do mundo real. A visibilidade para o interior desse outro mundo é por isso nula. A não ser que (como alguns fazem) se suba para o topo da estrutura metálica da paragem de autocarro. Ou se espreite pelas frestas que existem entre as barreiras metálicas.
Qualquer uma das opções é confrangedora. Mas foi esta última a única possível para escutar o que Fernando Meira tinha para dizer. Perguntas gritadas por cima da grade, respostas atiradas da mesma forma e pelo mesmo caminho. Tudo às cegas. “Olá Fernando. Aqui é Jorge Matias, do PÚBLICO”. “Olá Jorge”. “Como souberam da notícia?” E a conversa continuou assim, a poucos centímetros um do outro, mas tão longe de ser um diálogo olhos nos olhos. J.M.M.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Italianos como chuva

10h05 – “Hup hup Holand”. Os italianos estão doidos.
13h46 – Estádio Letzigrund. Há cada vez mais jornalistas, cada vez mais câmaras portáteis, microfones portáteis, estúdios portáteis, jornalistas portáteis, cada vez mais jornalistas repetidos, cada vez mais jornalistas a entrevistar jornalistas, cada vez mais garrafas de água e tabletes de chocolate. “À volta de mil jornalistas”, calculou a UEFA. Estão todos juntos. Devem ser amigos.
14h05 – “Splotch, splotch”. O Tribune de Genève fala de uma “tromba de água” e de saldos fora do tempo. Está um tempo normal para o mês de Novembro. Ainda bem que alguém me convenceu a trazer um casaco de Inverno...
14h07 – O Tribune de Genève apresenta o COSMO 2, um super programa de simulação meteorológica instalado no computador mais potente da Suíça. E que tal um super guarda-chuva?
17h34 – Um jornalista de Bratislava lembra-se perfeitamente do Euro 2004: o sol, a comida e a garrafa de whiskey que tinha reservada no Elefante Branco...
22h27 – Em Berna, Van Persie marcou um golo. Em Zurique, a 100 quilómetros de distância, os jornalistas italianos cantam e dançam. Lá vem chuva!
L.O.C.
Neuro

Na estação de comboios de Zurique há gigantes que já tombaram. Pelas ruas, as camisolas da Áustria e da Suíça estão em saldo e até há quem exija o escalpe do Trix e do Flix. A BBC fala de “inflação absurda” e o serviço meteorológico aponta para um tempo estável (cinzento e chuvoso). Valha-nos a garra turca e o futebol. Da Holanda, de Espanha, de Portugal...
L.O.C.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Fotografias para mais tarde recordar
Não sou um acelera. Nem sequer aluguei um carro que me permita acelerar. O Volkswagen Polo que tenho por companhia nos muitos quilómetros que faço nas estradas suíças dificilmente vai aos 140km/h. Por isso, desde já declaro que todas e quaisquer multas por excesso de velocidade que possa vir a receber em casa são uma fraude.
Já perdi a conta às fotografias que me foram tiradas pelos radares suíços. Numas estarei a sorrir, noutras a mexer no volume do rádio, admito até que em algumas terei uma cara de ensonado, porque as viagens nocturnas custam-me muito a suportar. Mas juro a pés juntos que em nenhuma me verão de dentes arreganhados, agarrado ao volante de olhar alucinado armado em Fitipaldi.
Mesmo assim, os danados dos radares perseguem-me. É nos túneis, é nas saídas das localidades, é nas rectas das auto-estradas. Eles é que andam depressa. Mal passo por um, já o sacana coloca o pé no acelerador passa por mim seu eu dar conta e apanha-me novamente mais à frente.
Ontem, no entanto, a minha revolta atingiu a velocidade máxima. Fui “fotografado” quando ia a 60kms/h, às 3h, de regresso ao hotel, numa estrada em que até o alcatrão estava a dormir. E se há coisas que um condutor cumpridor não pode suportar é ser multado por excesso de velocidade quando conduz a 60kms/h. É que, um dia destes ainda sou abalroado por um peão.
J.M.M.
Já perdi a conta às fotografias que me foram tiradas pelos radares suíços. Numas estarei a sorrir, noutras a mexer no volume do rádio, admito até que em algumas terei uma cara de ensonado, porque as viagens nocturnas custam-me muito a suportar. Mas juro a pés juntos que em nenhuma me verão de dentes arreganhados, agarrado ao volante de olhar alucinado armado em Fitipaldi.
Mesmo assim, os danados dos radares perseguem-me. É nos túneis, é nas saídas das localidades, é nas rectas das auto-estradas. Eles é que andam depressa. Mal passo por um, já o sacana coloca o pé no acelerador passa por mim seu eu dar conta e apanha-me novamente mais à frente.
Ontem, no entanto, a minha revolta atingiu a velocidade máxima. Fui “fotografado” quando ia a 60kms/h, às 3h, de regresso ao hotel, numa estrada em que até o alcatrão estava a dormir. E se há coisas que um condutor cumpridor não pode suportar é ser multado por excesso de velocidade quando conduz a 60kms/h. É que, um dia destes ainda sou abalroado por um peão.
J.M.M.
domingo, 15 de junho de 2008
Feu rouge

09h03 – Acordei com a sensação de que as cores quentes mandam neste Europeu.
09h30 – Genebra, estação Lancy Pont Rouge. Outro sinal?
12h20 – Não sonhei. Durante uma rara refeição quente (arroz de brócolos e peixe grelhado) na zona de imprensa, leio as notícias que confirmam a minha teoria térmica. “Espanha tem um iluminado”, El País. “Os azuis apagados pelos laranja”, Le Monde. “A Itália muito perto da porta de saída”, Tribune de Genève. E a Rússia, alaranjada...
16h57 – Lá fora, os vermelhos estão em maioria e os vermelhos estão em minoria. Os turcos também têm S. João?
19h30 – Boris, do Berliner Zeitung, já investigou. A minha teoria não serve em finais do Campeonato do Mundo, onde manda a fria cor azul.
19h45 – No grupo mais vermelho do Euro, Portugal e a República Checa equipam de branco. Lá se vai uma bela teoria matinal...
21h30 – O suíço Hakan Yakin? Vermelho a escaldar. O turco Nihat Kahveci? Vermelho em ebulição.
09h30 – Genebra, estação Lancy Pont Rouge. Outro sinal?
12h20 – Não sonhei. Durante uma rara refeição quente (arroz de brócolos e peixe grelhado) na zona de imprensa, leio as notícias que confirmam a minha teoria térmica. “Espanha tem um iluminado”, El País. “Os azuis apagados pelos laranja”, Le Monde. “A Itália muito perto da porta de saída”, Tribune de Genève. E a Rússia, alaranjada...
16h57 – Lá fora, os vermelhos estão em maioria e os vermelhos estão em minoria. Os turcos também têm S. João?
19h30 – Boris, do Berliner Zeitung, já investigou. A minha teoria não serve em finais do Campeonato do Mundo, onde manda a fria cor azul.
19h45 – No grupo mais vermelho do Euro, Portugal e a República Checa equipam de branco. Lá se vai uma bela teoria matinal...
21h30 – O suíço Hakan Yakin? Vermelho a escaldar. O turco Nihat Kahveci? Vermelho em ebulição.
23h26 – Pergunta o taxista: “Então? Portugal vendeu o jogo?” Pergunto-me. Será que Scolari corou?
L.O.C.
O país onde tudo se paga
Os suíços olham para o Euro como mais uma fonte de receitas. A vertente desportiva é meramente acessória e a principal preocupação do governo é conseguir amealhar mais uns francos suíços para os cofres do Estado. E não é sequer preciso que esta estratégia seja assumida oficialmente. Basta olhar...
Os investimentos em infra-estruturas foram residuais. Gastos com a organização do evento apenas e só os indispensáveis. E mesmo assim, sempre que for possível arrecadar mais alguns francos não há complacência. Quer um exemplo?
Berna, capital da nação suíça. Jogo, Itália-Holanda, um dos melhores da competição. Milhares de adeptos do futebol a caminho, milhares de jornalistas de todo o mundo à volta do estádio. O parque de estacionamento para deixar os carros? Por aqui, por aqui, vão indicando os voluntários que quase só falam alemão (não deve ter havido muita preocupação em assegurar que pelo menos fossem minimamente fluentes em inglês).
E eis que ele surge à nossa frente. Um esplendoroso prado verde, de onde a organização suíça deve ter tido a preocupação de ter retirado as vacas. Obrigado. Dezenas de metros mais à frente, com um pouco de lama para sujar os sapatos, eis que estacionamos o automóvel no meio de tanto verde. Abre-se a porta, tranca-se o carro e eis que surge, de colete laranja, um zeloso voluntário, exigindo 25 francos suíços pelo lugar.
Curioso, este falava inglês. Coincidência, certamente.
J.M.M.
Os investimentos em infra-estruturas foram residuais. Gastos com a organização do evento apenas e só os indispensáveis. E mesmo assim, sempre que for possível arrecadar mais alguns francos não há complacência. Quer um exemplo?
Berna, capital da nação suíça. Jogo, Itália-Holanda, um dos melhores da competição. Milhares de adeptos do futebol a caminho, milhares de jornalistas de todo o mundo à volta do estádio. O parque de estacionamento para deixar os carros? Por aqui, por aqui, vão indicando os voluntários que quase só falam alemão (não deve ter havido muita preocupação em assegurar que pelo menos fossem minimamente fluentes em inglês).
E eis que ele surge à nossa frente. Um esplendoroso prado verde, de onde a organização suíça deve ter tido a preocupação de ter retirado as vacas. Obrigado. Dezenas de metros mais à frente, com um pouco de lama para sujar os sapatos, eis que estacionamos o automóvel no meio de tanto verde. Abre-se a porta, tranca-se o carro e eis que surge, de colete laranja, um zeloso voluntário, exigindo 25 francos suíços pelo lugar.
Curioso, este falava inglês. Coincidência, certamente.
J.M.M.
sábado, 14 de junho de 2008
Mundo Genebra
19h45 – 21h30
As delícias do Valais, o queijo raclette, duas batatas a murro, um cornichon e um, dois copos de Fendant. O arco-íris e um bloco UEFA transformado num “journal intime”. Goulash, salsicha kasack, sangria, pelmini, “au revoir les bleus” e outros petiscos. Entremeada grelhada, ginja com e sem elas, sardinha assada, kebab, mojitos, Senegal Baobab e um bilhete para a final (+351964697295). Hip-hop, vinho quente, vitória russa e tragédia grega. Soul, break dance, transportes públicos e The White Stripes. Regras quebradas. Da bandeira, da buzina e a lei da gravidade.
As delícias do Valais, o queijo raclette, duas batatas a murro, um cornichon e um, dois copos de Fendant. O arco-íris e um bloco UEFA transformado num “journal intime”. Goulash, salsicha kasack, sangria, pelmini, “au revoir les bleus” e outros petiscos. Entremeada grelhada, ginja com e sem elas, sardinha assada, kebab, mojitos, Senegal Baobab e um bilhete para a final (+351964697295). Hip-hop, vinho quente, vitória russa e tragédia grega. Soul, break dance, transportes públicos e The White Stripes. Regras quebradas. Da bandeira, da buzina e a lei da gravidade.
01h20 - Os cromos de hoje: Euzebiusz Smolarek, Luca Toni, Materazzi, Del Piero e um quarto da selecção grega sem cabeça.
L.O.C.
Um Euro do mundo desenvolvido?
Como eu me lembro do pânico que se instalava em Portugal quando se falava em eventuais atrasos nas obras de acesso aos estádios de futebol construídos ou renovados para o Euro 2004.
Como me recordo da histeria com a imagem que o país iria dar se o parque de estacionamento não estivesse pronto, o passeio arranjado, as paredes limpas de grafitis, as indicações bem colocadas...
As vezes que ouvi dizer mal da organização portuguesa, da ignorância dos voluntários para prestar informações válidas, da exiguidade de algumas salas de imprensa, apesar de estarem instaladas em pavilhões amplos e não em tendas montadas ao lado de linhas de caminho de ferro, como agora.
No final, choveram elogios e o Euro 2004 foi considerado o melhor de sempre. E, para aqueles que quiserem comprovar como o título foi justamente atribuído, convido-os a experimentar os apertados estádios suíços, as auto-estradas em obras, as salas de imprensa minúsculas, os voluntários que pouco mais são do que um bando de gente voluntariosa deste Euro 2008, supostamente evoluído e de primeiríssimo mundo...
Nada como sair um pouco de Portugal para colocar tudo em perspectiva e perceber que nem tudo é assim tão mau como muitos dizem.
J.M.M.
Como me recordo da histeria com a imagem que o país iria dar se o parque de estacionamento não estivesse pronto, o passeio arranjado, as paredes limpas de grafitis, as indicações bem colocadas...
As vezes que ouvi dizer mal da organização portuguesa, da ignorância dos voluntários para prestar informações válidas, da exiguidade de algumas salas de imprensa, apesar de estarem instaladas em pavilhões amplos e não em tendas montadas ao lado de linhas de caminho de ferro, como agora.
No final, choveram elogios e o Euro 2004 foi considerado o melhor de sempre. E, para aqueles que quiserem comprovar como o título foi justamente atribuído, convido-os a experimentar os apertados estádios suíços, as auto-estradas em obras, as salas de imprensa minúsculas, os voluntários que pouco mais são do que um bando de gente voluntariosa deste Euro 2008, supostamente evoluído e de primeiríssimo mundo...
Nada como sair um pouco de Portugal para colocar tudo em perspectiva e perceber que nem tudo é assim tão mau como muitos dizem.
J.M.M.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Baile






11h33 – Engarrafamento no parque de estacionamento. Vira-se um francês para o outro: “Acho que são mais do que nós”. "C’est pas grave".
15h45 – Denominador comum: um dinamarquês a escrever sobre Jorge Mendes (“ele não tinha uma discoteca?”), um francês a escrever sobre Jorge Mendes (“o clube de Viana do Castelo é o...”), um madeirense (e portanto conterrâneo de Cristiano Ronaldo) que trabalha na Al Jazira e um inglês que passou o dia a perseguir Scolari.
16h00 – Mentira: Tirei uma foto com a mão na careca do Collina.
17h05 – Engarrafamento no Media Centre. Também está cá o Guy Roux.
18h27 – Verdade: junto ao detector de metais meti conversa com Arsène Wenger. E a França? “Vai ganhar o Europeu”. E o Henry? “Hoje marca”. Palpites...
18h45 – Quase verdade: Aproxime-se quem está na lista de espera para um lugar na bancada de imprensa. Em 75 inscritos, 74 são asiáticos.
19h04 – Sou tão alto como o Desailly.
21h30 – Engarrafamento na baliza de Coupet.
L.O.C.
15h45 – Denominador comum: um dinamarquês a escrever sobre Jorge Mendes (“ele não tinha uma discoteca?”), um francês a escrever sobre Jorge Mendes (“o clube de Viana do Castelo é o...”), um madeirense (e portanto conterrâneo de Cristiano Ronaldo) que trabalha na Al Jazira e um inglês que passou o dia a perseguir Scolari.
16h00 – Mentira: Tirei uma foto com a mão na careca do Collina.
17h05 – Engarrafamento no Media Centre. Também está cá o Guy Roux.
18h27 – Verdade: junto ao detector de metais meti conversa com Arsène Wenger. E a França? “Vai ganhar o Europeu”. E o Henry? “Hoje marca”. Palpites...
18h45 – Quase verdade: Aproxime-se quem está na lista de espera para um lugar na bancada de imprensa. Em 75 inscritos, 74 são asiáticos.
19h04 – Sou tão alto como o Desailly.
21h30 – Engarrafamento na baliza de Coupet.
L.O.C.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Teerão super-star

09h10 – Meti gasolina a 1,92 coroas/litro. É fazer as contas.
09h56 – Vou para Lausanne a 140 quilómetros/hora (listening to Boris). Tenho a sensação de estar a ser observado.
11h14 – Mais bandeiras aos pares. Portugal e Suíça, Portugal e Espanha, Portugal e França, Portugal e...
12h30 – Babak Sarani Azar, Ali Fooladi Rad e Alireza Vahabi estão mais desorientados do que eu. “A conferência de imprensa acabou”. “Não! A conferência deve estar a começar agora no Museu Olímpico. Querem boleia?”
12h37 – O trânsito de Lausanne não parece suíço. Demasiados portugueses ao volante? “Devias ir a Teerão...” Está dito, está dito.
12h44 – “Cristiano Ronaldo, big star!” Onde é que eu já ouvi isto?
13h10 – O Van Basten tem mais brancas que eu – e mais cabelo que eu.
13h55 – Vou para Berna a 130 (listening to Santogold). A minha amiga invisível avariou e vai em contra mão. “Turn right, turn right, turn right, turn right, turn…” Turn off.
16h30 – Ordem imposta pela UEFA para ouvir as piadas de Domenech. Primeira chamada: “Jornalistas franceses e italianos!” Seguinte: “Jornalistas romenos e italianos!” Alguém acrescentou “Black people!”
16h31 – Sem sucesso, tentei impor o critério jornalistas-cuja-selecção-já-está-apurada.
16h32 – Estão cá uns ingleses. Ponham-se na fila.
L.O.C.
09h56 – Vou para Lausanne a 140 quilómetros/hora (listening to Boris). Tenho a sensação de estar a ser observado.
11h14 – Mais bandeiras aos pares. Portugal e Suíça, Portugal e Espanha, Portugal e França, Portugal e...
12h30 – Babak Sarani Azar, Ali Fooladi Rad e Alireza Vahabi estão mais desorientados do que eu. “A conferência de imprensa acabou”. “Não! A conferência deve estar a começar agora no Museu Olímpico. Querem boleia?”
12h37 – O trânsito de Lausanne não parece suíço. Demasiados portugueses ao volante? “Devias ir a Teerão...” Está dito, está dito.
12h44 – “Cristiano Ronaldo, big star!” Onde é que eu já ouvi isto?
13h10 – O Van Basten tem mais brancas que eu – e mais cabelo que eu.
13h55 – Vou para Berna a 130 (listening to Santogold). A minha amiga invisível avariou e vai em contra mão. “Turn right, turn right, turn right, turn right, turn…” Turn off.
16h30 – Ordem imposta pela UEFA para ouvir as piadas de Domenech. Primeira chamada: “Jornalistas franceses e italianos!” Seguinte: “Jornalistas romenos e italianos!” Alguém acrescentou “Black people!”
16h31 – Sem sucesso, tentei impor o critério jornalistas-cuja-selecção-já-está-apurada.
16h32 – Estão cá uns ingleses. Ponham-se na fila.
L.O.C.
Boicote

09h22 – Lá fora chove. Cá dentro, a pergunta clássica. “Leite quente, para quê?”. Alguém está a tentar boicotar este Euro...
10h54 – Chove muito. Vamos adiar isto para o Verão?
11h40 – Nas varandas, há bandeiras aos casais. Suíça e Itália, Suíça e França, até Suíça e Turquia. Viva o fair-play.
13h53 – Percebi que Christoph Blocher não é um politico muito querido na Suíça, mas que a sua filha comprou uma marca de torrões deliciosos.
17h08 – Há centenas de jornalistas no Media Centre. Quatro manifestaram-se.
20h05 – Em 2004, usava protector solar, andava de calções e de boné na Cordoaria e bebia cerveja na Ribeira. Vamos mas é fugir da bancada de imprensa que o vento mudou.
21h32 – O Europeu tem cinco dias e os suíços já estão a sentir o que os portugueses sentiram no dia 4 de Julho de 2004.
L.O.C.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Tarot Panini

07h30 – Tenho um aranhiço no lavatório do quarto. Sorte? Ou será que devia mesmo ter ido à consulta do viajante?
09h03 – Bom dia amiga imaginária. “After 200 meters turn left; turn left; after 300 meters, cross the roundabout, take the second exit; cross the roundabout, take the second exit; after 200 meters, turn left; turn left”…
12h37 – Estou há cinco minutos no Media Center de Basileia e Basileia já ganhou o prémio simpatia.
14h05 – Comprei cinco francos suíços de carteiras de cromos Panini.
18h30 – David Villa goleia a Rússia. Em Innsbruck está um tempo “Fritz Walker”.
19h10 – Alguém da comitiva da Turquia entrega aos jornalistas uma compilação de cartas escritas pelos jogadores turcos antes do Euro. Emre escreveu: “O facto de ter passado grande parte da época afastado por lesão motiva-me ainda mais para jogar no Euro”.
20h10 – Últimas: “É o Frei na Suíça e o Emre na Turquia. O Emre lesionou-se, não joga amanhã e não sabemos se joga frente à República Checa”...
20h22 – As mães dos jogadores turcas foram citadas por um jornalista. “Também criticam a prestação da selecção”... Terim, Tuncay e a tradutora dentro dos nossos auriculares abafaram as gargalhadas.
23h10 – “After 200 meters, turn right; turn right”; after 300 meters, cross the roundabout, take the second exit; cross the roundabout, take the second exit; after 200 meters turn left; turn left”… Boa noite amiga imaginária.
23h40 – Tenho cinco carteiras de cromos. Abro uma na véspera de cada jogo de Portugal. Meio estádio de Klagenfurt, Aldonin, Lichtsteiner, Sagna e Milan Baros com cara de poucos amigos. Sorte?
L.O.C.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Euro Darjeeling

06h27 – Circulando. Klagenfurt/ Villach/ Innsbruck/ Zurique/ Berna. Na estação de comboios de Klagenfurt, alhos e bugalhos. O grego deseja boa sorte ao português. O português retribui. O grego responde “desta vez não me parece”. Gregos…
08h33 – A identificação UEFA transmite alguns poderes ao seu portador. Posso ocupar o vagão de primeira classe e encontrar os meus semelhantes como se fossem colegas de turma com a folha A4 dobrada em três partes e o nome pintado a marcador. O Anin é russo, o Kaneth é escocês…
11h19 – Retalhos da conversa entre um “semelhante” e três locais: “em Klagenfurt correu tudo bem… estudei em Coimbra… os portugueses estão em todo o lado... os portugueses não sabem falar inglês… fazem dinheiro com qualquer coisa…”
11h30 – O que é demais é moléstia. Aproximei-me e respondi por ordem cronológica: “pelo menos 150 alemães detidos… também… pois estão… inglês sim, alemão nem por isso… há por aí uns trocos a mais?"
11h31 – “Trabalho para a UEFA, estou proibido de falar para jornalistas”. Descobri que o meu “semelhante” é um agente infiltrado.
13h29 – Perdi o Norte. Viajo num compartimento com cortinas verdes, estofos grená, alcatifa e um revisor do Bangladesh, arredondado, bigode aparado – tudo muito Darjeeling Limited. OK, o Wes Anderson fez o casting primeiro.
17h17 – Há pelo menos uma bandeira de Portugal numa varanda em Zurique. Nunca mais é quarta...
L.O.C.
domingo, 8 de junho de 2008
Pépi e Meirreles


8h25 – Durante a noite foram detidos sete alemães. A ZDF repete freneticamente cópias virtuais dos golos de “Pépi” e de “Meirreles”. Temos Euro.
12h32 – Há um naperon de renda na mesa do restaurante onde uma velhinha insiste em pousar junto aos talheres um rolo de papel de alumínio. Sprechen Sie Deutsch? Nem por isso.
14h26 – Derek, de Brooklyn, está inconsolável. Gastou uma fortuna e os bilhetes esfumaram-se. Queixou-se à Euroteam, que se queixou à Telemedia, que se esfumou. Já não há bilhetes.
14h40 – O centro de Klagenfurt está em festa. O mais parecido com um português é Dr. Musikus, o homem dos 23 instrumentos. Faz-me lembrar “Pépi”.
16h36 – Vou para o estádio no democrático shuttle dos adeptos. Para ser “da malta” dou dois golos na Carlsberg de um polaco, que já tinha bebido pelo menos uma cerveja por cada pessoa esmagada dentro do autocarro. Blá-blá-blá? Pois... nem por isso.
16h38 – Os polacos decidem que há um polaco a mais. Um uppercut projecta o polaco excedentário que cai desamparado na rua sobre o seu próprio lanche.
16h45 – A lata de sardinhas polacas está prestes a explodir.
16h46 – Os polacos decidem que há um polaco a mais. Um uppercut projecta o polaco excedentário que cai desamparado na rua (e sem lanche para amortecer a queda). Lá se foi a minha Carlsberg. Desisto desta reportagem. Andar a pé faz bem à saúde.
18h30 – Estádio Woerthersee. No monitor, cada jornalista corresponde a um pixel. Agora percebo porque é que já não há bilhetes.
18h43 – Estou a trabalhar sem “net”e sem rede. Valha-me um técnico UEFA. Então é para isso que serve o “run” e o MSDOS...
21h30 – A Alemanha ganhou porque Podolski marcou. Como festejaria “Pépi” se tivesse marcado o primeiro golo pela sua selecção frente ao Brasil?
22h30 – Recuso-me a ir na lata de sardinhas. Zentrum? Blá-blá-blá, mais links e rechts e outra vez rechts. E blá-blá-blá.
22h45 – Zentrum? Sprechen Sie Deutsch?
23h20 – Dava tudo por um golo numa Carlsberg.
12h32 – Há um naperon de renda na mesa do restaurante onde uma velhinha insiste em pousar junto aos talheres um rolo de papel de alumínio. Sprechen Sie Deutsch? Nem por isso.
14h26 – Derek, de Brooklyn, está inconsolável. Gastou uma fortuna e os bilhetes esfumaram-se. Queixou-se à Euroteam, que se queixou à Telemedia, que se esfumou. Já não há bilhetes.
14h40 – O centro de Klagenfurt está em festa. O mais parecido com um português é Dr. Musikus, o homem dos 23 instrumentos. Faz-me lembrar “Pépi”.
16h36 – Vou para o estádio no democrático shuttle dos adeptos. Para ser “da malta” dou dois golos na Carlsberg de um polaco, que já tinha bebido pelo menos uma cerveja por cada pessoa esmagada dentro do autocarro. Blá-blá-blá? Pois... nem por isso.
16h38 – Os polacos decidem que há um polaco a mais. Um uppercut projecta o polaco excedentário que cai desamparado na rua sobre o seu próprio lanche.
16h45 – A lata de sardinhas polacas está prestes a explodir.
16h46 – Os polacos decidem que há um polaco a mais. Um uppercut projecta o polaco excedentário que cai desamparado na rua (e sem lanche para amortecer a queda). Lá se foi a minha Carlsberg. Desisto desta reportagem. Andar a pé faz bem à saúde.
18h30 – Estádio Woerthersee. No monitor, cada jornalista corresponde a um pixel. Agora percebo porque é que já não há bilhetes.
18h43 – Estou a trabalhar sem “net”e sem rede. Valha-me um técnico UEFA. Então é para isso que serve o “run” e o MSDOS...
21h30 – A Alemanha ganhou porque Podolski marcou. Como festejaria “Pépi” se tivesse marcado o primeiro golo pela sua selecção frente ao Brasil?
22h30 – Recuso-me a ir na lata de sardinhas. Zentrum? Blá-blá-blá, mais links e rechts e outra vez rechts. E blá-blá-blá.
22h45 – Zentrum? Sprechen Sie Deutsch?
23h20 – Dava tudo por um golo numa Carlsberg.
L.O.C.
sábado, 7 de junho de 2008
Klagenfórnia

09h30 Klagenfurt, MD-1 (match day minus one). Na Califórnia da Áustria está um sol californiano. O estádio Woerthersee? Sempre em frente, junto ao lago Woerthersee, É o OVNI depois do milheiral. A acreditação está no contentor azul, o SMC (Stadium Media Centre) fica do outro lado do OVNI e dá acesso ao MIS (Media Information System) e a uma fila para levantar o passe SAD (Supplementary Access Device) para o MD. A água é gratuita. Obrigado UEFA.
16h25 Beenhakker já é o rei. Diz-se que o holandês fala inglês, alemão, italiano, português, espanhol e que tem aulas de polaco. Os jornalistas querem sangue. Defenestrar Podolski? Guilhotina com Klose? Uma gravata italiana para Ballack? Beenhakker “tralala”. Um dia normal. Ninguém o verá a desfilar nu no parque.
18h26 No primeiro dia do Europeu, a equipa de branco marcou à anfitriã equipa de vermelho. Que lata! Onde é que já se viu? Desta vez, Scolari não teve nada a ver com o assunto...
18h27 Chove na Klagenfórnia. Não fosse Beenhakker mudar de ideias...
20h25 Cai um relâmpago em Klagenfurt, aterra um avião no estádio de Genebra, a 625 quilómetros. Começo a acreditar no Efeito Borboleta.
21h30 Vou só lá fora molhar os pés. A voz de Nelly Furtado é o mais parecido com um português. Desta vez nem ela estragou a festa. A Neuer Platz está quase deserta. Everybody's gone surfin'.
L.O.C.
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